Modelo goiano de transporte público coletivo impressiona representantes da FNP
29/07/2025 | Geral
Em visita técnica realizada nesta segunda-feira (28), representantes da FNP conheceram de perto as transformações da Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC), incluindo o Sistema Metropolitano BRT e metronização, terminais e estações modernizadas e avanços na transição energética da frota, além do modelo de gestão aplicado ao projeto.

“Goiânia vive um momento em que o poder público e a iniciativa privada conseguiram promover um salto qualitativo no transporte coletivo. Esse avanço é evidente, especialmente nos corredores Leste-Oeste e Norte-Sul, com a conclusão das obras e a construção do eixo Leste-Oeste como um todo. Está espetacular. Fabuloso, moderno, bonito e funcional — e por um preço módico. Ou seja, tudo de primeira, mas com um investimento justo, na medida certa, para atender às necessidades do cidadão, do município e também dos empresários”, afirma o presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Mobilidade Urbana, Ogeny Maia Neto, que destaca ainda que a transformação em curso em toda RMTC é notável.
Representantes da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos do Brasil (FNP) participaram nesta segunda-feira (28) de uma visita técnica ao sistema de transporte coletivo de Goiânia e da Região Metropolitana. Guiada pela Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) e pelo RedeMob Consórcio, responsável pela operação da Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC), a agenda teve como objetivo proporcionar uma experiência imersiva na rede, além de apresentar os principais investimentos que estão sendo implementados – hoje, considerada referência nacional em mobilidade urbana. A visita aconteceu após os trabalhos no evento "Mobilidade em Foco: Aprimoramento do Sistema Nacional de Informações em Mobilidade Urbana (SIMU)", promovido pela (FNP).
A visita, que contou com cerca de 60 participantes, apresentou as transformações históricas em andamento na Região Metropolitana de Goiânia. Desde 2021, a RMTC vem passando por uma transformação histórica, conduzida pelo projeto Nova RMTC, agora, ampliando para macroprojeto Nova Mobilidade. A iniciativa é sustentada por três pilares interligados: a priorização do transporte público, a gestão inteligente do tráfego e o estímulo à mobilidade ativa. Com um investimento público-privado de R$ 2,1 bilhões, o projeto estrutura e amplia a Nova RMTC e fortalece os eixos de trânsito e deslocamentos não motorizados, promovendo um modelo integrado, sustentável e eficiente de mobilidade urbana. A parceria entre o poder público e a iniciativa privada tem se destacado não apenas pelos avanços técnicos, mas também pela prestação de contas transparente.
“Estamos falando da redução do tempo de viagem, o que atende tanto o passageiro quanto o operador, que usa menos ônibus para prestar o mesmo serviço, com mais eficiência e menor custo. E ainda há a melhoria da infraestrutura viária, com fluidez para os BRTs e seus sistemas alimentadores. O que mais me impressionou foi a sintonia entre o setor público e o privado, que, quando voltada ao usuário, é extremamente positiva”, destacou o superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Luiz Carlos Néspoli. Durante o roteiro a comitiva percorreu o corredor do BRT Norte-Sul a bordo de um ônibus 100% elétrico até a Praça Cívica para vivenciar na prática a metronização do transporte coletivo — sistema de coordenação semafórica inteligente que dá prioridade ao transporte coletivo em tempo real e reduz o tempo das viagens. A tecnologia chamou a atenção dos participantes que vivenciaram e acompanharam de dentro do ônibus o sistema. Isso fez com que o BRT tivesse um ganho de 30% em velocidade, saindo de 16km/h em horários de pico para 21km/h.
Esse projeto completo e amplo da RMTC vivenciado pela comitiva superou ainda o desafio da união e integração da região metropolitana, que abrange 21 municípios e 2,5 milhões de habitantes distribuídos em mais de 7.000 km2. Essa consolidação com governança e gestão compartilhadas se materializa em uma rede única com 299 linhas conectadas, tarifa única e integrada ao Bilhete Único Metropolitano e subsídio tarifário divido entre o Governo do Estado de Goiás, a capital e os municípios conurbados: Aparecida de Goiânia, Trindade, Goianira e Senador Canedo.
Outro grande ganho apontado pelos visitantes o modelo de governança adotado pela RMTC. O diretor de Regulação de Mobilidade do Ministério das Cidades, Marcos Daniel dos Santos, também elogiou o modelo de governança adotado pela Região Metropolitana de Goiânia, destacando a cooperação entre Estado, prefeituras e setor privado como fator essencial para a melhoria do transporte público. “Estamos vendo aqui os resultados concretos desse modelo colaborativo, com iniciativas que envolvem desde a modernização da frota até a requalificação de terminais. O governo federal tem acompanhado de perto esse processo, inclusive com a destinação de recursos para o BRT e o financiamento da renovação da frota. O sistema já apresenta ganhos visíveis, como a melhoria nos tempos de viagem e a satisfação dos usuários. Saímos daqui muito satisfeitos, e entendemos que o modelo aplicado em Goiânia pode servir de exemplo para outras regiões metropolitanas do país”, afirmou.
O modelo adotado pela RMTC avança, de fato, para se consolidar como um case de inovação no transporte público brasileiro. E a resposta para isso, vem da forma de remuneração do sistema. Foi implementado um novo modelo de remuneração das concessionárias que não apenas garante a sustentabilidade operacional como agrega o aporte sistemático de subsídio público como uma fonte relevante de recursos para investimentos. E a RMTC avança ainda com um modelo de garantia pública de adimplemento de pagamento de subsídios que está redefinindo o patamar de segurança para as concessionárias e o mercado financeiro.
O subsídio público é aportado sistematicamente pelos entes federativos que compõem a estrutura de governança pública da RMTC – o Estado de Goiás e os municípios de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Trindade e Goianira, sendo 41,2% responsabilidade do Estado, 41,2 % capital, 17,6% municípios conurbados. Esse aporte público não só garante a continuidade dos serviços sem sobrecarregar o usuário, como também permite investir. Investir com planejamento, com segurança jurídica e com previsibilidade financeira.
Ao garantir um fluxo de receita previsível, o Complemento Tarifário oferece a segurança financeira necessária para que as concessionárias possam planejar e executar projetos de investimentos de longo prazo – incluindo a renovação, ampliação e modernização da frota. Permite também manter módica a Tarifa Pública que é paga pelos usuários, que no caso da Grande Goiânia está congelada em R$ 4,30 desde abril de 2019.
Trânsito e Transporte
A integração entre planejamento viário e operação do transporte coletivo é um dos diferenciais da mobilidade urbana em Goiânia. A atuação conjunta da Secretaria de Engenharia de Trânsito (SET) com o RedeMob Consórcio tem permitido avanços importantes na organização do sistema, com foco em eficiência operacional, melhoria da experiência do usuário e uso estratégico das informações. A cooperação inclui desde o compartilhamento de dados até a implantação de soluções em tempo real.
Para o secretário de Engenharia de Trânsito, Tarcísio Abreu, o que está sendo construindo em Goiânia é um modelo de mobilidade urbana que serve de referência nacional. “A digitalização dos dados, o sistema de informação georreferenciado, a tarifa única e a integração total entre os modais fazem de Goiânia o único modelo do Brasil que funciona de forma consolidada. Isso nos permite ter controle preciso sobre volume de passageiros, tempo de viagem, desempenho operacional e, com isso, direcionar melhor os investimentos. Hoje, conseguimos afirmar com segurança que já recuperamos 102% da demanda de passageiros em relação ao período anterior à pandemia. Isso só é possível porque temos dados e uma base sólida para trabalhar”, afirma Tarcísio Abreu.
A visita da comitiva
A bordo de um ônibus elétrico, as autoridades percorreram os eixos estruturantes da cidade e conheceram de perto as principais frentes de modernização do sistema, como os novos pontos de parada com padrão elevado de conforto, terminais e estações revitalizadas, corredores exclusivos com metronização e integração semafórica inteligente, além do avanço na transição energética da frota. Durante todo o trajeto viveram a experiência dos avisos sonoros das paradas nas estações, semelhante ao que é feito nos metrôs, seguido do som do canto do corrupião, pássaro da fauna do cerrado.
Logo na primeira parada, em um dos novos pontos de ônibus da Avenida 136, os visitantes conheceram de perto o novo modelo de abrigo da RMTC, que representa um avanço importante em termos de acessibilidade, segurança e acesso à informação para os passageiros. As estruturas seguem um padrão mais moderno e funcional, com sinalização clara e orientações sobre as linhas em operação. Essa é uma das frentes de transformação em curso no sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia.
Desde fevereiro de 2024, 2.614 novos abrigos foram implantados em substituição a estruturas que ofereciam riscos aos usuários ou estavam deterioradas. A mudança também trouxe melhorias significativas na conservação desses espaços. Antes sob responsabilidade do poder público, a manutenção dos abrigos era realizada de forma pontual e com menor efetividade. Com a consolidação da parceria público-privada na gestão do sistema, esse serviço passou a ser executado pelo RedeMob Consórcio, por meio de uma equipe dedicada à limpeza regular, pequenos reparos e roçagem do entorno, garantindo mais conforto e segurança no dia a dia dos passageiros.
A comitiva também conheceu, no Terminal Isidória, o funcionamento do sistema BRT Norte-Sul, uma das maiores transformações do transporte coletivo metropolitano. Fruto de uma articulação estratégica entre o poder público e a iniciativa privada, o corredor representa um novo modelo de desenvolvimento urbano, com 29,6 km de vias que ligam o Terminal Veiga Jardim, em Aparecida de Goiânia, ao Parque Atheneu, em Goiânia, passando por seis terminais (Recanto do Bosque, Hailé Pinheiro, Paulo Garcia, Isidória, Cruzeiro e o próprio Veiga Jardim), além de 31 estações com nomes de arvores do Cerrado.
Na sequência, a comitiva percorreu o corredor do BRT Norte-Sul a bordo de um ônibus 100% elétrico até a Praça Cívica para vivenciar na prática a metronização do transporte coletivo — sistema de coordenação semafórica inteligente que dá prioridade ao transporte coletivo em tempo real e reduz o tempo das viagens.
Na interseção entre os corredores BRT Norte-Sul e BRT Leste-Oeste (Eixo Anhanguera), na Praça dos Bandeirantes, a comitiva conheceu de perto a estrutura das estações — a estação Pitanga. Em seguida, os representantes, depois de passarem pela Estação da Rua 8, a última das novas 19 estações do BRT Leste-Oeste inaugurada no dia 25 de julho de 2025, seguiram para as obras do novo Terminal Praça da Bíblia, uma das cinco unidades em reforma dentro do projeto Nova Anhanguera. No local, o diretor executivo do RedeMob Consórcio, Leomar Avelino, apresentou o BRT Leste-Oeste, bem como o projeto da Nova Anhanguera – que compreende a reestruturação completa do antigo Eixo Anhanguera, com obras e melhorias em andamento, como a modernização de todos os terminais e estações; a metronização dos corredores e a renovação da frota. “O sucesso do projeto BRT Leste-Oeste, assim como os demais projetos, será alcançado mediante a execução das obras no custo orçado, no prazo e com qualidade, além das contas aprovadas pelos órgãos públicos de controles interno e externo”, afirmou Leomar Avelino.
Por fim, a comitiva esteve no Terminal Novo Mundo – o primeiro dos seis terminais do BRT Leste-Oeste a ser totalmente reformado e entregue, em janeiro deste ano. No local, os convidados conheceram o processo de transição energética com renovação da frota, com a substituição gradual dos ônibus por veículos elétricos e movidos à biometano. O diretor executivo do Consórcio BRT, Laércio Ávila, apresentou os investimentos que estão sendo realizados para potencializar essa transição, incluindo a implantação de uma robusta infraestrutura de abastecimento e recarga energética, fundamental para garantir autonomia, eficiência e confiabilidade à operação dos novos veículos. Laércio também destacou os avanços no abastecimento por biometano, com a instalação de um posto temporário entre março e junho de 2025, que comprovou a viabilidade dessa tecnologia no sistema.
O superintendente de Trânsito e Transporte de Campina Grande, Vitor Ribeiro, destacou a importância de iniciativas como as desenvolvidas em Goiânia para fortalecer o transporte público no Brasil. Segundo ele, experiências exitosas como a da capital goiana devem servir de exemplo para o Brasil. “Ver aqui o que tem sido feito pelo prefeito de Sandro Mabel e sua equipe faz orgulho, porque mostra-se esse transporte público, que traz mais conforto para as pessoas, mais qualidade, mais dignidade”, pontuou.